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Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Terminal Rodoviário de Salvador, sexta-feira, 30 de dezembro de 2005, 7:40 da manhã. Aos poucos, as nove pessoas com um mesmo destino (Barra do Itariri-BA) iam se juntando e amontoando suas malas e barracas de camping no meio da estação. Com caras de sono, mas muita disposição, Glauber, Carlos, Cristal, Monalisa, Bruno, Márcia, Nadson, Lucas e Diego, acho que necessariamente nesta ordem, à espera dos que disseram que iam nos encontrar para fazer o Rodoviária Orkontro, que na minha opinião foi mais uma demonstração de carinho dos que ficaram que qualquer outra coisa. Não daria pra fazer mais nada além do que ver os que partiriam, tendo em vista que, tirando Chico, que chegou antes de muitos, Lari Veras chegou aos quarenta do segundo tempo e Mau chegou no exato momento em que o ônibus partiu, deixando consigo o bem mais precioso: a bola de frescobol. Concentrados estrategicamente nos fundos do buzu causando inveja aos milhares que iam percorrer o caminho de cinco horas em pé, a nossa viagem começou com conversas paralelas entre as duplas de poltrona, com exceção de Nadson, que, ao lado de um cara estranho, fazia apenas comentários de paisagem como quando avistou uma casa de materiais de construção ou sei lá o que, chamada “Casa Pré-Fabricada”, que certamente foi feita em homenagem aos Los Hermanos. Enxendo nossas barrigas de Bono de todos os formatos, marcas e sabores, exceto chocolate porque se não alguém podia ficar empoladinho, duas horas de viagem se passaram, descemos para um xixizinho básico e voltamos. Alguns iludidos descobriram que ainda teríamos mais umas três horas pela frente, mas não desanimamos: o violão de rocha nos ajudou a seguir em frente cantando “Bárbara” sem parar para combater o pagodinho baixo astral de uns adolescentes com mechas amarelas nos cabelos. Praia do Forte, Imbassaí, Baixio, e finalmente, Conde! Mais sete quilômetros depois, saltamos em Sítio do Conde, mortos de fome, nos desesperamos quando descobrimos que o ônibus para a Barra do Itarirí só passaria dali a três horas. Milagrosamente, apareceu um buzu que iria pra lá, pegamos e saltamos no bendito camping. Chegando lá, fomos bem recepcionados com um: “Vocês que são a galera dos Los Hermanos?”, o que me deu um sentimento misto de fama e aflição. Fizemos o reconhecimento do local e encontramos o lugar onde armaríamos os nossos barracos. Antes que eu dissesse “Vamos ver quem arma primeiro a sua barraca?”, alguns terminaram de montar as suas quando eu, Márcia, Bruno e Carlos, descobrimos que a barraca que alugamos era da década de 80, de uma aerodinâmica indecifrável, remendada e... de pano, o que nos deixou desesperados quando olhamos pro céu e vimos que certamente iria chover. Fomos salvos pelo namorado da dona que, percebendo a nossa aflição, nos emprestou “em off” a dele. Galera, é segredo, não contem isso pra ninguém! Para sanar a nossa fome, sentamos num bar e criativamente pedimos três peixes vermelhos sem chocolate porque se não alguém podia ficar empoladinho. Para iniciar a seqüência de calotes, pagamos o opcional pela metade... Passeamos pela praia conversando bobagem, fizemos desenhos na areia, assustamos frutos do mar e, temendo o breu, voltamos para o camping. Sentamos na mesa e abrimos nossa primeira garrafa, enchemos os copos e começamos a primeira de muitas rodadas de Escravos de Jó, ou melhor, de São Jorge! Vendo que aquele negócio de tirar, botar e ziguezaguear copos cheios com o nível de sangue no álcool que estávamos não iria dar certo, trocamos os copos por pedras e continuamos a nossa brincadeira confiantes na nossa habilidade motora. Lá lá lá lá lá, hum hum hum hum hum, fomos no mercadinho comprar álcool e refrigerante para os nossos motores total flex, pra tentarmos alcançar o nosso maior objetivo: o silêncio. Depois de muitos ki ki kis, ka ka kas, xingamentos, a chegada de Mila com a tal bola de frescobol, subidas em mesa, nos concentramos e atingimos o silêncio que foi comemorado com montila de limão e sprite (sem chocolate porque se não alguém podia ficar empoladinho)... Sentados em cima da barraca de camping inútil carinhosamente apelidada de Picolino (afinal, aquilo era um circo, uma piada), iniciamos a nossa segunda brincadeira: telefone sem fio! Frases profundas como “quero que o seu cu pegue fogo” circularam, palavras inocentes foram transformadas, não sei se pelas nossas mentes insanas ou pelo nível de álcool.... Fomos carinhosamente expulsos do camping pelo barulho e resolvemos caminhar na praia, mas fazia frio, chuvia uma chuva horizontal... Como uma da madrugada era um horário ruim para ligar para as nossas mães que à essa altura deveriam estar infartadas, resolvemos deixar pra lá e voltarmos pro camping pra dormir, ou não.
Rabiscado por Monalisa
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