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Terça-feira, Novembro 29, 2005
Parabéns para nós

Hoje, 29 de novembro de 2005, faz um mês que algo mágico aconteceu... Pelo menos para mim. Alguns já se conheciam antes, do Cristo, da Concha... Mas, no meu calendário, é este dia 29 o especial.
Eu estava no meu canto, sem saber o que fazer numa tarde de sábado, conversava no msn com uma menina gente fina, uma tal de Edmilia, que queria porque queria que eu fosse ao niverorkontro no Rio Vermelho... Quanta insistência! Será que queriam me sequestar? Mas a menina foi muito simpática, e logo se juntou a outra, uma tal de Ella, que alguns chamavam de MF, mas ela insistia em se dizer Nandinha Fofinha. Pois bem, marcaram de me encontrar no Campo Grande e de repente eu não pude mais resistir. Quando vi já estava com cara de perdida, em frente ao Teatro Castro Alves, procurando duas meninas que eu não sabia exatamente como eram.
De repente o celular toca e na confusão do encontro às escuras, acabei vendo de longe uma menina toda sorridente, com a maior cara de simpática. Alívio, eu não ia ser sequestrada. Tudo começou bem, falávamos de cinema, meu assunto favorito, e eu já não estava mais tão nervosa. Eis então que aparece a outra... Que figura com aquela blusa toda de furinho! Parecia meio doida, com um espírito livre, gostei dela. A menina do piercing no nariz, a que tinha mil apelidos, a chamou de Mila, e eu resolvi fazer o mesmo, afinal, já éramos amigas de infância.

Pegamos um ônibus e fomos parar no Rio Vermelho... Mais gente apareceu e pronto! Eu já estava calada denovo. Tentei abrir a boca algumas vezes, mas sem muito sucesso... Chegava cada vez mais gente e eu estava cada vez mais perdida. Na mesa perto da nossa tinha um menino com uma cara também de perdido, sentado sozinho, procurando não se sabe exatamente o quê. Só podia ser um membro deslocado da comunidade, pensei. Mas eu estava tímida demais pra me pronunciar. Daqui a pouco o perdido se aproximou e foi apresentado a todos, tinha nome de cineasta, Gláuber. Mais tarde eu saberia que era Glauber, sem acento.
Foi então que a menina de espírito livre, Mila, me ofereceu um vinho que eu não conhecia. Bom, até aí nada demais, eu só tinha bebido umas três vezes na vida. “Você nunca bebeu São Jorge???” Ela perguntou, e eu me senti um ET. Fomos então comprar o tal São Jorge, eu, ela e um menino alto de nome Lucas, com um jeito tímido como o eu, que me fez sentir mais à vontade.

Voltamos munidos de São Jorge e fomos avisados por Mila que não era pra deixar o copo virar aquário. Mas que diachos queria dizer isso? Quando eu fiquei muito tempo sem beber o vinho Mila gritou do outro lado: “Ta virando aquário!!” Foi aí que a ficha caiu e eu resolvi entrar no clima e virar o tal vinho do santo.
A timidez, por efeito são jorgístico que eu viria a conhecer tão bem depois, começou a deixar o meu corpo. De repente eu estava conversando com duas pessoas ao mesmo tempo! Quanto avanço! Mas não era só efeito do vinho... Algo naquelas pessoas tornava tudo mais fácil. Achei outro tímido, o cara perdido, Glauber. Sempre me sinto a vontade com pessoas tímidas, rola uma certa identificação. Mas as pessoas mais extrovertidas também eram tão simpáticas... As duas aniversariantes, com uma carinha de bem novas, Lari Veras e Paloma, quanta alegria, e não parecia haver um pingo de falsidade. Fiquei meia hora ensaiando pra lhes dar parabéns. Consegui, enfim, quase morrendo de vergonha.
Dois caras chegaram então com um bolo. Eles tinham jeito de ser os palhaços do grupo, principalmente pela camisa de um deles, o de boné, que tinha escrito “Insanidade” da mesma forma que o logotipo da loja Insinuante. Garoto esperto, gostei desse Diego. O outro, vinte minutos depois me ofereceu uma cerveja, coisa que eu odeio. Como ele tinha cara de ser divertido, eu, meio brincando meio falando a verdade, disse que já estava meio bêbada. Maurício era seu nome, Mau. Depois soube que ele me levou bastante a sério e achou que eu era uma pinguça! Bom, uma vez na vida é válido mudar pra um estereótipo totalmente diferente do meu.

Eu estava começando a me sentir entrosada com o grupo... Já conversava com mais gente, batia um papo animado com um dos tímidos, o alto, Lucas, quando começaram a cantar Anna Júlia e eu vi que estava no lugar certo. Sempre odiei aquele papinho de fã de Los Hermanos de “não tocar Ana Júlia porquê é pop”. E daí que seja pop? É divertido!
Quando vi já tinha desistido de ir pra casa e estava a caminho do BondCanto. Joguei totó, ri, conversei e, sobretudo, cantei, sempre empolgadíssima! O que estava acontecendo? Porque eu estava tão à vontade com aquelas pessoas? Tão feliz? Que força inexplicável da natureza havia me empurrado para o palco, com aqueles semi desconhecidos, para cantar “Lua da Cristal”?

Mas outras pessoas ainda apareceriam naquela noite... Uma figura saltitante surgiu já gritando o meu nome. Branquinha, com um jeito diferente dos demais, ela parecia ser amiga de Mila, então devia ser legal também, pensei. Seu nome era Michelle e, junto com Mila, pagamos o maior mico da noite cantando “Quem sabe”, assessoradas por Bart, o cara do violão. No final da noite, ainda descobri mais uma pessoa pra gostar, um cara de voz grossa, segundo ele mutante, Jeferson. Ele não deixava meu chapéu quieto, mas também não me deixava sozinha no meu canto, como eu estava prestes a ficar. Assim, encerrou-se uma madrugada de “descoberta de pessoas”, que não poderia ter sido melhor.
Menos de cinco dias depois já estavam quase todos na minha casa... A paixão tinha começado, a amizade não podia mais parar. Desde então, foram se juntando outros àquele grupo que, mais tarde, seria intitulado de Máfia LH. Hoje somos muitos, alguns mais presentes, outros sempre fazendo falta, todos, a seu modo, especiais.

A AledIckinSoon, Bart, Bruno, Diego, Drika, Edson, Glauber, Juliana, Lari D’Eça, Lari Veras, Lucas, Marcus, Marllon, Mau, Mila, Michelle, Mf, Mona, Nadson e Paloma, a todos vocês que são da Máfia, ou ainda aos “mafiosos em potencial”, um beijo cheio de carinho e agradecimento por terem feito de mim uma pessoa mais aberta pra vida. Nós podemos até não ser amigos pra sempre, mas tenham certeza que vocês já marcaram a minha adolescência tardia.
Cristal
PS: Alguém consegue acreditar que só tenha se passado um mês?
Rabiscado por Cristal (a.k.a. Cris)
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